terça-feira, 17 de abril de 2018

Fotografia: Olinda histórica e colorida

Meu passeio por Olinda foi todo feito a pé por suas lindas ladeiras históricas e cheias de casas coloridas. Acabei chegando bem na hora do sol forte, consegui encarar o calor com roupas leves, muita água, filtro solar e chapéu. Fui abordada por um guia local, que se propôs a dar uma orientação pelos pontos turísticos, não topei, pois tinha um roteiro prontinho na bolsa. Na verdade, achei que seria tranquilo caminhar pela cidade, mas precisei pedir ajuda em um ponto de apoio ao turista, onde ganhei um mapa e orientações.

Foto: Olinda, PE. Carina Pedro. 

A primeira parada foi na Igreja do Carmo, onde estava acontecendo uma missa matinal. No entorno, um grupo ensaiava maracatu, foi um anúncio do caldeirão cultural que veria em Olinda. Na sequência comecei a subir as ladeiras em direção ao Alto da Sé. Pelo caminho, várias casinhas coloridas e uma decoração que extrapolava os domínios domésticos. Apesar de algumas senhoras me alertarem para o perigo de andar com câmera fotográfica à vista, continuei com ela na mão. Registar esse percurso é irresistível!

Seguindo para Sé, pela ladeira da Misericórdia, cruzei com vários artistas, músicos, desenhistas, com destaque para os lindos Palhaços de Olinda, que ficaram à disposição para quem quisesse fotografá-los. Chegando lá, encontrei as tapioqueiras, tradicionais na cidade. Escolhi uma tapioca de queijo coalho e uma de banana com queijo, canela e leite condensado. Estavam divinas, as melhores que já comi. No entorno da Catedral da Sé, também consegui ouvir um pouco de frevo, maracatu e repente, essa mistura de ritmos é de uma riqueza sem igual

Foto: mascaras de carnaval nas ruas de Olinda, PE. Carina Pedro
Foto: Olinda, PE. Carina Pedro. 

Pertinho dali, segui para o Museu dos Bonecos Gigantes. Achei a exposição pequena, embora houvesse espaço suficiente para acomodar diversos bonecos de artistas e personagens locais, entre eles, o do escritor pernambucano Ariano Suassuna. Visitei também o Museu de Arte Sacra, com um acervo bem mais modesto do que os das cidades históricas mineiras. Depois de lá, subi o elevador panorâmico até um mirante com uma vista lindíssima de Olinda e Recife, uma parada obrigatória para quem quer fotografar as duas cidades com a luz do pôr do sol. 

Na sequência, teve início a última parte do passeio, uma imersão cultural inesquecível. Desci as ladeiras com os candoblecistas na cerimônia conhecida como "Águas de Oxalá". Houve uma concentração prévia na frente da Catedral da Sé e depois uma descida coletiva por uma ladeira íngreme de mesmo nome. Muitas pessoas vestidas com roupas brancas, água de cheiro, cantos e danças, que simulavam a lavagem da ladeira, tornaram a experiência ainda mais intensa e festiva. Com a câmera quase sem bateria, ainda consegui registrar alguns momentos preciosos da cerimônia.

Foto: Águas de Oxalá em Olinda. Carina Pedro
Foto: Águas de Oxalá, Olinda, PE. Carina Pedro. 

Algumas dicas finais para fotografar em Olinda: se puder esperar até o final do dia para clicar, será bem melhor, a luz e as cores da cidade ficam muito mais bonitas e o calor se atenua; escolher um final de semana para visitar a cidade aumenta a chance de cruzar com festividades populares pelas ruas e fazer um rico registro fotográfico; cuidar da câmera é sempre importante, mas não vi perigo algum em fotografar durante o dia; fotografei com minhas duas lentes, a grande angular 10-18 mm para arquitetura e a 50 mm para os detalhes, funcionou super bem, só ficou faltando uma bateria extra. De resto, é só diversão! Tem muitas fotos no meu Instagram.

quinta-feira, 12 de abril de 2018

Evento: lançamento do livro "Brasil e Portugal: do descobrimento até os dias atuais"

A cultura portuguesa está tão presente nas nossas vidas que é difícil definir onde começam e terminam as influências mútuas. Acredito que cada brasileiro tenha uma comida, um livro, um ritmo musical ou uma cidade preferida, em que as heranças portuguesas estão vivas e fortes. Entre tantas influências, a minha preferida é a arquitetura colonial que podemos apreciar em algumas cidades brasileiras, como Ouro Preto, Mariana, Diamantina (Minas Gerais), Paraty (Rio de Janeiro) e Olinda (Pernambuco).

Das que tive a oportunidade de conhecer, destaco as cidades históricas mineiras, que foram as primeiras a me impactar. Lembro-me do momento em que pisei em Diamantina e senti a sensação de entrar em um túnel do tempo, quando o Brasil não era o Brasil, mas uma colônia portuguesa. Algo que só conhecia dos livros, em especial o da historiadora Júnia Furtado sobre a famosa história da Chica da Silva e do contratador de diamantes, que viveram em Diamantina quando ainda era o Arraial do Tejuco.

Em Ouro Preto e Mariana fiquei com a mesma impressão de quem visita um museu "a céu aberto". O exterior e o interior dos sobrados e casas térreas possuem diversos elementos da arquitetura portuguesa, que também recebeu influências de outras culturas, entre elas, a árabe, marroquina e chinesa. Um dos moradores ilustres de Ouro Preto foi Tiradentes, que por ser considerado um traidor da coroa portuguesa, após sua morte, teve sua casa arrasada e o terreno salgado. Há também, em ambas as cidades, museus com belos acervos de objetos do período colonial. 

Paraty está ligada à história das cidades mineiras. Ela faz parte do Caminho Velho da Estrada Real, que foi aberta pela Coroa Portuguesa, no século 17, para ligar o litoral do Rio de Janeiro à região do ouro no interior de Minas Gerais. Percorri todas as suas ruas estreitas a pé e, assim como em Ouro Preto, fiquei inebriada por todo aquele casario que se preservou no tempo. Essa cidade histórica, além da bela paisagem natural, tem lindas casas coloridas, antigos engenhos abertos à visitação e uma rica cultura popular, que se mantém viva por meio de festividades tradicionais e eventos contemporâneos, como a Flip.

E, neste ano de 2018, visitei Olinda. Sobre ela vai ter um post aqui no blog, por isso não vou compartilhar muitos detalhes. Destaco um dado histórico sobre o Convento de Santo Amaro, que teria sido o primeiro a ser ornamentado com azulejos vindos de Portugal. Esse gosto pelas peças de cerâmica vidrada se espalhou por diversos lugares do Brasil, como Salvador, Recife, Rio de Janeiro e Santos, onde encontra-se a Casa da Frontaria Azulejada, antiga residência e armazém do português Manoel Joaquim Ferreira Netto. Um patrimônio santista que já visitei várias vezes e não me canso de fotografar. 

A arquitetura é uma das áreas que daria para ficar horas conversando sobre as influências portuguesas. O livro “Brasil e Portugal: do descobrimento até os dias atuais” é uma bela contribuição para esse tema. Com pesquisa histórica e iconográfica da jornalista e historiadora Claudia Fonseca, a obra aborda outras importantes conexões entre os dois países, em áreas como, diplomacia, artes, gastronomia e esporte. O leitor poderá também, por meio de belas imagens, refletir sobre as diversas influências trocadas entre brasileiros e portugueses.

O lançamento será no dia 13 de abril, com a presença da autora Claudia Fonseca, das 18h30 às 21h30, na Livraria da Vila, Alameda Lorena, 1731. Vale ressaltar o ótimo preço da publicação, que poderá ser adquirida no local por R$ 70,00 (setenta reais).

Foto: Águas de Oxalá, Olinda, PE. Carina Pedro. 

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