quinta-feira, 21 de julho de 2016

Museu: curiosidades sobre o Conjunto Moderno da Pampulha (Belo Horizonte, MG)

Nesta semana em que o Conjunto Moderno da Pampulha, em Belo Horizonte (MG), comemora sua inscrição na lista do Patrimônio Mundial da Unesco, achei mais do que merecido compartilhar curiosidades do meu passeio por lá em janeiro deste ano. Eu adorei conhecer o local, foi meu único dia de sol em BH e as fotos ficaram lindas e dignas da obra de Oscar Niemeyer, Cândido Portinari, Burle Marx e outros mestres do nosso Modernismo. 

Para visitar a Pampulha optei por alugar um carro e passar o dia nessa região da cidade que é bem afastada de onde eu estava hospedada. A distância entre os pontos turísticos em torno do lago da Pampulha também não é muito pequena e estar com o carro me fez ganhar tempo ao longo da visita. Mas, com certeza, uma caminhada sem compromisso com toda essa paisagem inebriante ao redor seria ótima! Nesse caso vale a pena conferir a previsão do tempo. 

Igreja São Francisco de Assis (Pampulha, Belo Horizonte, MG)
Igreja São Francisco de Assis (Pampulha, Belo Horizonte, MG). 

Igreja São Francisco de Assis (Pampulha, Belo Horizonte, MG).
Carina Pedro na Igreja São Francisco de Assis (Pampulha, Belo Horizonte, MG).

Comecei pela Igreja São Francisco de Assis, ou igrejinha da Pampulha, como é carinhosamente chamada pelos citadinos. Parei para tirar aquela foto clássica do painel de azulejos de Cândido Portinari e descobri que foi executado no Atelier Osirarte de São Paulo. Outra surpresa foi saber que pelo seu desenho nada convencional a igrejinha não foi bem aceita pela comunidade católica, o que a fez ficar fechada por anos. 

Para visitar o interior da igrejinha precisamos comprar um ingresso. Podemos tirar fotos dos murais de Portinari e conferir a vista especial que se tem do entorno. Nesse momento lembrei de outras obras fantásticas do Niemeyer, como o Museu de Arte Contemporânea de Niterói, onde se vê uma integração única entre o trabalho humano e a natureza. 

Carina Pedro no Toalete do Museu de Arte da Pampulha, antigo Cassino da Pampulha (Belo Horizonte, MG)
Carina Pedro no toalete do Museu de Arte da Pampulha, antigo Cassino da Pampulha (Belo Horizonte, MG). 

Carina Pedro no Auditório do Museu de Arte da Pampulha, antigo restaurante do Cassino da Pampulha (Belo Horizonte, MG)
Carina Pedro no auditório do Museu de Arte da Pampulha, antigo restaurante do Cassino da Pampulha (Belo Horizonte, MG). 

Depois fui conhecer o Museu de Arte da Pampulha, antigo Cassino da Pampulha. Lá, os anos 40 me pareceu mais forte e vivo. A começar pelo toalete com mobiliário original da década, assim como o antigo restaurante, seu palco e sua pista de dança, que virou um auditório, mas não perdeu o ar vintage. Pude conversar com um dos educadores do local que me explicou sobre as melhorias que estavam sendo realizadas com o intuito de atender as exigências da Unesco. A despoluição do lago, talvez uma das mais difíceis de ser realizada, ainda é uma delas. 

Foi no Museu de Arte também que descobri as origens da Pampulha, área totalmente rural, fonte dos produtos agrícolas que abasteciam a capital planejada, foi totalmente transformada pelos projetos urbanísticos modernos que invadiram a cidade nos anos 40. A ideia de criar espaços de entretenimento nessa região surgiu no mandato de Juscelino Kubitschek, como prefeito da cidade de Belo Horizonte, e esse empreendimento foi para ele e Niemeyer um grande teste preparatório para construção de Brasília anos depois.

Centro de Referência de Urbanismo, Arquitetura e Design, antiga Casa do Baile da Pampulha (Belo Horizonte, MG).
Centro de Referência de Urbanismo, Arquitetura e Design, antiga Casa do Baile da Pampulha (Belo Horizonte, MG). 

Centro de Referência de Urbanismo, Arquitetura e Design, antiga Casa do Baile da Pampulha (Belo Horizonte, MG).
Centro de Referência de Urbanismo, Arquitetura e Design, antiga Casa do Baile da Pampulha (Belo Horizonte, MG). 
Fotos: Conjunto Moderno da Pampulha / Belo Horizonte, MG (acervo pessoal)

O último local que visitei foi o Centro de Referência de Urbanismo, Arquitetura e Design, mais conhecido como Casa do Baile. A vista dali é linda, devido aos pilotis e curvas da arquitetura de Niemeyer, que esteve no local algumas vezes no decorrer da sua vida longeva. Projetado para ser um restaurante dançante mais acessível, com público-alvo diferente do cassino, o local já foi ponto de encontro de várias gerações, até se tornar um dos difusores da história do Movimento Moderno no Brasil. Comprei por lá uma maquetinha para ter um pouco da Pampulha em casa! 

Deste Conjunto Moderno ainda faltou conhecer o Iate Tênis Clube, antigo Iate Golfe Clube, e fora dele, mas também modernista, a casa de campo de JK, projetada por Niemeyer e ainda com os móveis da época. Ficou para uma próxima oportunidade! Ah, e quem gosta de esportes também pode aproveitar a ida à Pampulha para conhecer o Mineirão e o Mineirinho, ambos bem pertinho dali! 

terça-feira, 12 de julho de 2016

Festival Santos Café 2016: degustação, exposição e música

De 8 a 10 de julho aconteceu o “Festival Santos Café 2016” no centro histórico da cidade de Santos. Fui conferir algumas atrações do último dia e aprendi técnicas básicas de preparação do café, além de poder degustar essa bebida que eu amo! Aproveitei também para ver exposições, conhecer os interiores de dois edifícios históricos do bairro do Valongo e ouvir a boa música da banda Big Time Orchestra. 

Bonde turístico passando pela Rua do Comércio, Santos-SP. Foto: Carina Pedro
Bonde turístico passando pela Rua do Comércio, Santos-SP.

A cidade de Santos tem uma relação muito forte com a história do café. Desde o século XIX o porto de Santos é responsável por escoar a produção de grãos vinda do interior de São Paulo. A economia cafeeira promoveu mudanças definitivas na cidade, entre elas, a atração de comerciantes que trabalhavam com a exportação do café e com a importação de artigos estrangeiros. Trato do tema no meu livro, Casas Importadoras de Santos e seus Agentes.

As transformações marcantes que a cidade sofreu ao longo de décadas por conta desse comércio tornam compreensível a homenagem à bebida por meio de um festival. Assim, mais pessoas são atraídas para conhecer e interagir nesse histórico centro comercial. O Museu do Café, na Rua XV de novembro, foi minha primeira parada. Quis conferir a apresentação “Dica do Barista” para aprender a fazer um café mais saboroso com os profissionais do Centro de Preparação do Café (CPC).

Barista explicando como fazer café no Museu do Café - Santos. Foto: Carina Pedro
Barista explicando como fazer café no Museu do Café. 

O barista começou a demonstração esquentando a água até a temperatura de 90 graus, pois a água fervida queima o pó e ainda faz mal à saúde. Em seguida, escaldou o filtro de papel com água quente para evitar alterações no sabor da bebida. Depois de moer o grão selecionado, oriundo das fazendas de Minas Gerais, o pó foi colocado dentro do filtro e, aos poucos, foi adicionada a água quente com movimentos circulares. 

Fiquei sabendo que quanto mais tempo leva para água passar pelo pó, mais cafeína é liberada. Isso não quer dizer que o café ficará com gosto forte. Se essa for nossa intenção é só adicionar mais pó e pronto! Lembrando que um bom café deve ser tomado sem açúcar para que o sabor natural seja saboreado. Depois de pronto, não se deve deixar a bebida por mais de uma hora na garrafa térmica, assim como o pó, que deve ser consumido em no máximo um mês. 

Salão da Construtora Phoenix - Santos. Foto: Carina Pedro
Salão da Construtora Phoenix. 

Interior da Casa da Frontaria Azulejada - Santos. Foto: Carina Pedro
Interior da Casa da Frontaria Azulejada. 
Fotos: Festival Santos Café 2016 (acervo pessoal)

Depois da degustação, fui ver a exposição “Coffee break: diálogos sobre o café”, na Construtora Phoenix, com pinturas, desenhos, fotografias, que remetiam à cultura do café. Eu nunca tinha entrado nesse edifício e fiquei encantada com a imponência do salão onde estavam as artes. Em seguida, visitei a Casa da Frontaria Azulejada, na Rua do Comércio. Conferi por lá a exposição “Do café ao cafezinho”, com painéis informativos sobre o produto, e registrei o seu belo interior, com as marcas do tempo ressaltadas pela iluminação cenográfica. 

No início da noite assisti ao show da Big Time Orchestra, banda super animada e talentosa que agitou o final do festival na Rua do Comércio. Para quem não viu, a banda participou do programa SuperStar na Rede Globo e arrasou com seus metais poderosos, visual retrô e releituras muito bacanas de sucessos mundiais.

E se você como eu adora café, expressei meu amor pela bebida aqui no blog em outros dois posts "TOP 5 lugares para tomar café em Santos" e "Cantinhos charmosos para a hora do café". É só clicar nos links em laranja

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