terça-feira, 16 de agosto de 2016

Design Weekend 2016: bate papo com a Refúgios Urbanos na casa-galeria Apartamento 61

Do dia 10 a 14 de agosto aconteceu a quinta edição do Design Weekend, evento que proporciona encontros, palestras, exposições por diversos pontos da cidade de São Paulo. Esta é uma ótima oportunidade para aprendermos mais sobre design e valorizarmos nossa cultura material. Aproveitei para conhecer a casa-galeria Apartamento 61, que realizou um bate-papo no domingo com o pessoal da imobiliária Refúgios Urbanos

Sala da casa-galeria Apartamento 61. Ambientes integrados por mobiliário, projeto Rino Levi (1960). 

A Apartamento 61, galeria recém inaugurada (até então era só e-commerce), vende móveis originais assinados por grandes nomes do século XX, como Zanine Caldas e Lina Bo Bardi, além de outros objetos vintages. Os proprietários e curadores são o casal Vivian Lobato e André Visockis. Assim que entrei na casa onde está instalada, senti esse ar vintage dos anos 50-60. Vivian me contou que a casa pertenceu ao escultor Victor Brecheret, com projeto de reforma feito pelo renomado arquiteto paulista Rino Levi, nos anos 60.

Foi nesse cenário modernista que rolou o bate papo delicioso com Matheo Gavazzi, fundador da imobiliária Refúgios Urbanos, e com sua equipe, Octavio Pontedura e Felipe Grifoni. Durante mais de duas horas a conversa sobre arquitetura, design, mercado imobiliário, preservação, história, rolou solta na sala de estar da antiga casa de Brecheret, com vista para um lindo jardim. Enquanto isso, nós, participantes, pudemos ficar sentados e “testar” peças ícones do design mundial. 

Móveis dos anos 50-60 à venda na Apartamento 61. Parte do antigo ateliê de Brecheret. 

Já no início da conversa ficou claro o propósito da Refúgios Urbanos: trabalhar com imóveis cheios de história para contar, especiais por trazer em seu desenho elementos representativos de uma época e que merecem ser valorizados e preservados por suas características atemporais. Há um esforço desses profissionais para pesquisar e divulgar a importância desses espaços, a fim de que cada vez mais pessoas se encantem e considerem a possibilidade de viver nesses imóveis. 

Entre os atrativos técnicos dessas residências estão: plantas com dimensões mais humanas (ergonômicas), ambientes amplos, pé direito alto, modelos de janelas que garantem uma vista diferenciada e ventilação cruzada, revestimentos originais e outras preciosidades. São esses elementos que foram perdendo lugar para garagens, varandas, áreas comuns de lazer, etc. O conforto dos imóveis mais antigos tem um custo que pode valer muito a pena para quem está querendo comprar ou alugar um imóvel em São Paulo, garante os corretores da Refúgios. 

Móveis dos anos 50-60 à venda na Apartamento 61. Parte do antigo ateliê de Brecheret. 

O exterior desses edifícios também foi colocado em pauta, com desenhos arrojados para época, hoje isso se torna um diferencial entre os prédios novos. A entrada livre, sem portões, chega a assustar, mas eles explicam que a integração com a rua é o que garante a segurança. Quem se arrisca a ser visto assim tão fácil? Nas ruas do bairro há frequentadores antigos, o que também ajuda a criar um cotidiano mais tranqüilo e acolhedor. 

Quem tiver receio quanto ao investimento em reformas ao ocupar esses apartamentos e casas pode conversar com a equipe da Refúgios Urbanos. Eles fazem parcerias com profissionais que desenvolvem projetos especializados para esse tipo de imóvel. Antes de tudo é importante que o novo dono aprecie o imóvel, reconheça seu valor histórico e cultural, para que possa cuidar adequadamente.

Poltrona Bumerangue de Lina Bo Bardi, anos 50. 
Fotos: bate papo com a Refúgios Urbanos na casa-galeria Apartamento 61 (acervo pessoal)

Ainda conversamos sobre alguns prédios e casas históricas de São Paulo, localizados em Higienópolis, Jardins, Centro. Sobre os criadores de tendências (trendsetter), que tem um papel importante na mudança de visão e comportamento das pessoas, entre eles, empresários que arriscam abrir seus negócios em áreas desvalorizadas da cidade. Também se comentou sobre retro fit, que é a modernização de equipamentos antigos, e home staging, assunto que já falei no blog, e que surge com a preocupação de apresentar adequadamente o imóvel sem ludibriar o cliente.

Quem quiser saber mais sobre a imobiliária Refúgios Urbanos e sobre a loja Apartamento 61 não deixe de visitar suas páginas e acompanhá-los nas redes sociais. O fundador da Refúgios, Matteo Gavazzi, também criou o projeto “Prédios de São Paulo”, em que tornou acessível, por meio da publicação de um livro, informações sobre diversos edifícios históricos da cidade. Logo vou falar mais sobre isso no blog! 

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Variedades: O Topo da Montanha com Lázaro Ramos e Taís Araújo

Neste último domingo fui assistir à peça "O Topo da Montanha" com Lázaro Ramos e Taís Araújo no Teatro FAAP em São Paulo. O tema em questão sempre atraiu minha atenção no cinema, desta vez, no teatro, foi uma experiência nova e muito bem-vinda. Posso dizer que esta é uma das melhores peças que já vi, com momentos de drama e humor na dose certa. 

Lázaro Ramos e Taís Araújo ao final da peça O Topo da Montanha. 

Lázaro Ramos é nada menos que o reverendo Martin Luther King, conhecido líder do movimento pelos direitos civis dos negros nos EUA, entre os anos 50-60 do século XX. A atriz Taís Araújo interpreta a camareira Camae (se fala “camei”), uma pessoa de opinião forte, que não tem medo de expor suas ideias para o líder e de fazê-lo refletir sobre a sua vida em diversos momentos da conversa. Eles se encontram no quarto 306, onde Martin está hospedado após fazer o discurso que dá nome à peça. 

No início da peça o bate-papo entre os personagens é leve e descompromissado. Falam sobre cigarros, aparência física, família, sem perder o humor crítico, como no momento em que Camae comenta que ficou o dia “passando o cabelo” e não queria molhá-lo na chuva. A conversa fica mais séria quando Martin, após ouvir críticas de Camae, pergunta o que a camareira diria aos seus seguidores se estivesse no seu lugar. Nesta hora, Camae fala sobre o racismo em um dos momentos mais emocionantes da peça. 

Muitas revelações surpreendentes estão por vir, mas não posso estragar a surpresa de quem ainda vai assistir à peça! Achei que as reflexões pessoais de um líder como Martin L. King e as colocações da camareira Camae são muito pertinentes nos dias atuais. Em termos sociais e políticos, há muita coisa a se fazer nas questões que envolvem os negros no nosso país, que como os EUA, vivenciou a escravidão africana no passado.   

Cenário antes do início da peça O Topo da Montanha.
Fotos: O topo da Montanha / Teatro FAAP, SP (acervo pessoal)

Imagens de outros líderes negros que se destacaram são projetadas no cenário ao final da peça, servindo como inspiração na luta por um mundo mais justo e livre do racismo. Aliás, observar a interação dos atores com os objetos de cena e registrar o cenário é algo que sempre faço. Neste caso, o interior do quarto 306 tinha um toque vintage, como era de se esperar. O movimento dos móveis e de outros itens pelo cenário acompanha as revelações que são feitas ao longo da peça. Muito interessante!

Quem tiver a oportunidade recomendo muito a peça "O Topo da Montanha"! Uma outra dica, na sessão de sábado, os atores batem um papo com o público depois da peça. E, como falei no início do post, tem filmes ótimos que nos levam a pensar e debater esse tema tão importante e atual, destaque para Selma, Histórias Cruzadas, O Mordomo da Casa Branca e Preciosa.

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