segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Evento: Casa Vogue Experience 2017

Escolhi o sábado, dia 21 de outubro, para visitar a Casa Vogue Experience, em São Paulo, evento promovido pela revista Casa Vogue e seus patrocinadores, com a participação de profissionais reconhecidos da área de arquitetura e design. Minha opção pelo sábado foi motivada especialmente pela palestra do Sérgio Matos, designer que já apareceu aqui no blog, criador do Balanço Bodocongó. Na mesma ocasião, Sônia Quintella falou dos projetos da ArteSol, organização voltada à valorização e ao desenvolvimento do artesanato brasileiro.

Sérgio Martos e Sônia Quintella na Casa Vogue Experience 2017 - São Paulo, SP.
Sérgio Martos e Sônia Quintella na Casa Vogue Experience 2017 - São Paulo, SP. 

Assim que entrei na Casa Vogue Experience, apesar de ter um número bem menor de ambientes decorados, senti aquela sensação de estar na Casa Cor, evento que há alguns anos não visito. Entre outras coisas, a abordagem ostensiva dos vendedores de assinatura da revista, já na entrada, é algo que me incomoda bastante. Percebi o quanto essa pausa foi boa para eu beber de outras fontes de informação. Ao final, não fiquei com a sensação de estar vendo as coisas de sempre, mas, pra mim, a parte boa do evento foi mesmo as palestras.

Com o nome de "Design e Artesanato em comunidades tradicionais brasileiras", a apresentação começou com a fala da Sônia Quintella, diretora da ArteSol, criada em 1998, como programa social para combater a pobreza em regiões de seca, hoje, uma organização atuante em diversos projetos pelo Brasil. Quintella compartilhou com a gente alguns trabalhos da organização, entre eles, o mapeamento do artesanato das regiões brasileiras e a disponibilização da informação em uma rede online. Falou também da venda desses produtos artesanais na Artiz, loja modelo, que existe no Shopping JK Iguatemi, com planos de ser também um e-commerce. 

Casa Vogue Experience 2017- São Paulo, SP.
Casa Vogue Experience 2017- São Paulo, SP. 

O que mais me chamou a atenção na apresentação de Quintella, além da sua paixão pelo trabalho artesanal, materializada nas roupas e acessórios que estava vestindo, foi o seu empenho por criar uma conexão entre jovens designers e artesãos. A diretora da ArteSol mencionou a arrogância da academia versus a simplicidade das comunidades artesãs. Para ela, é preciso que as novas gerações convivam com os saberes tradicionais, associem forças, criem produtos que exaltem a cultura artesanal e adquiram valor justo no mercado do design e da decoração. Confessou que sua maior satisfação é ver o artesão com seu portfólio, atendendo seus clientes, de maneira autônoma. 

Na sequência, a fala de Sérgio Matos veio acrescentar por meio do relato da sua própria experiência profissional. O designer atua em diversas comunidades brasileiras com a intermediação do Sebrae. Os trabalhos realizados são belos exemplos de que a conexão entre o desenho industrial e a técnica artesanal pode dar certo. Matos faz uma verdadeira imersão, para que o projeto se desenvolva no local onde residem os artesãos, com as técnicas e com a matéria-prima disponível. Já a inspiração para o desenho do produto pode vir da natureza nativa ou de uma lenda regional.

Casa Vogue Experience 2017 - São Paulo, SP.
Casa Vogue Experience 2017 - São Paulo, SP.

O retorno econômico dos projetos é um assunto que me impressionou bastante. Segundo Matos, um artesanato tradicional, já meio batido no comércio, como um cesto de 20 reais, dá lugar a uma luminária de mil reais, feita pelo mesmo artesão, com o desenho assinado pelo designer. Ao falar do sentido maior desse trabalho, Matos nos explica que, ao se tornarem vendáveis no alto mercado de decoração, esses produtos garantem melhores condições de vida, além do reconhecimento dos seus saberes e valorização da sua identidade cultural.

Foi comentado também sobre as discordâncias a respeito desses projetos, por considerar, entre outras questões, uma descaracterização do artesanato tradicional. Quintella falou do trabalho da antropóloga Ruth Cardoso e da pesquisadora Adélia Borges, já Matos confirmou a existência de críticas, mas destacou que o desejo do artesão de comercializar ou não o produto final é sempre respeitado. Independente de ter essa questão resolvida, não posso deixar de destacar os registros fotográficos dos artesãos e sua arte, feitos pelo próprio Sérgio Matos, in loco. Dá para acompanhar pelo seu perfil no Instagram. É, sem dúvida, de encher os olhos e dar um orgulho instantâneo da nossa cultura tão rica e diversa! 

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Fotografia: visita à Paranapiacaba e exposição em Santos

Já faz um tempo que venho pensando em expor minhas fotografias aqui em casa. Estou montando uma boa coleção que gostaria de poder visualizar todos os dias. Meu sonho era montar uma galeria daquelas de "casa de revista", com quadros subindo pelas paredes, mas não dá, infelizmente, não tenho espaço, nem pé direito para isso. Neste post falo um pouco sobre isso, sobre minha visita à Paranapiacaba e sobre a exposição que estou participando na Galeria Brás Cubas, no Teatro Municipal de Santos

Vila de Paranapiacaba, Santo André-SP. Foto: Carina Pedro blog
Vila de Paranapiacaba, Santo André-SP. Foto: Carina Pedro

No primeiro final de semana de setembro, fui com os colegas e professores da Imago Escola de Artes até Paranapiacaba, uma vila muito charmosa de Santo André, onde os trabalhadores da estrada de ferro Santos-Jundiaí se fixaram na segunda metade do século XIX, quando se deu a construção da ferrovia. Os vestígios da arquitetura inglesa, muito ferro e madeira, enchem os olhos de quem gosta de fotografar lugares históricos. 

A vila é "exibida", ninguém te impede de registrar ao longo da caminhada os detalhes de portas e janelas de madeira desgastadas pelo tempo. Até no Infinito Olhar, local onde paramos para tomar um café, foi possível clicar a decoração vintage. O único ponto turístico, em que contamos com a facilidade de sermos um grupo de fotógrafos, foi o Museu Ferroviário. Lá, não pode entrar de câmera fotográfica sem autorização. Ainda bem que fomos liberados, quem gosta do estilo industrial vai se esbaldar com os artefatos ferroviários. Logo depois da viagem, postei várias fotos no meu Instagram.

Museu Ferroviário, Paranapiacaba-SP. Foto: Carina Pedro blog
Museu Ferroviário, Paranapiacaba-SP. Foto: Carina Pedro

Sobre a coleção que estou criando com essas saídas fotográficas e minha vontade de deixá-la à vista, tenho buscado referências para montar minha pequena exposição doméstica em livros, na internet e na vida "real". Uma das ideias eu tirei do livro The Shopkeeper's home e consiste em escolher molduras iguais, no tamanho e na cor, para pendurar artes, com as mesmas características, de forma simétrica. Como minhas fotografias são predominantemente coloridas e o assunto envolve sempre arquitetura, história e design, esta forma de apresentá-las ficará bem bacana. Aqui no blog também tem outras dicas legais sobre como pendurar artes nas paredes.

A impressão e as molduras envolvem custos que dependem do tamanho e da qualidade de ambas. Da impressão feita em lojas de fotografia a uma impressão fine art, o preço muda consideravelmente. Ainda não tomei uma decisão, mas fiquei encantada com o trabalho do André Monteiro que imprimiu as nossas fotos para exposição na Galeria Brás Cubas. Conheci seu estúdio durante o curso  de fotografia, suas várias opções de impressão e o tratamento impecável da foto. Já as molduras, minha escolha é a loja online "Parederia", indicada pelo clube de assinatura "Caixote", do qual faço parte. São diversos tamanhos e cores à venda, além das molduras sob medida que eles desenvolvem.

Exposição Mon Premier Regard, Teatro Municipal, Santos - SP. Período: outubro de 2017
Exposição Mon Premier Regard, Teatro Municipal, Santos - SP.

Outra inspiração não poderia vir de lugar melhor, direto da Galeria Brás Cubas, no Teatro Municipal de Santos, onde uma das minhas fotos e as de outros alunos da Imago Escola de Artes estão sendo expostas neste exato momento. Fechando com chave de ouro a experiência de estudar fotografia na teoria e na prática, sem dúvida, uma das melhores coisas que fiz este ano. Para quem quiser conferir, a exposição fotográfica "Mon premier regard" vai até dia 18 de outubro, de segunda à sexta-feira, das 14h às 19h.

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