sábado, 3 de dezembro de 2016

Livro: "A incrível arte de desapegar" de Cherrine Cardoso

No universo da organização de ambientes os livros que tratam do desapego são sempre bem vindos. Isso porque nossos pertences podem se tornar um grande empecilho para começar uma organização. Mas será que desapegar de bens materiais é o único desafio que temos?  O último livro que li sobre o assunto abrange outras esferas da vida, como a afetiva e profissional. Além disso, a autora analisa como as diferentes gerações lidam com o assunto. Vou falar mais no post de hoje sobre “A incrível arte de desapegar”, de Cherrine Cardoso. 

Livro "A arte de desapegar" de Cherrine Cardoso.
Livro "A incrível arte de desapegar" de Cherrine Cardoso.

A autora começa o livro tratando do apego emocional, incluindo família, amigos e até bichos de estimação. Entre suas dicas está aprender a escolher entre apego/desapego nas diversas situações da vida que envolvam relacionamento afetivo. A autora ressalta que precisamos nos sentir em sintonia com nossa essência e com a certeza de que nossa decisão vai gerar uma reação positiva. Ao desistir de uma coisa que desejamos por causa de pessoas queridas, podemos estar alimentando o apego, medo e insegurança. Uma mudança de cidade ou país, por exemplo, pode ser bloqueada por esses sentimentos. 

Sobre a questão profissional, Cherrine aborda o sentimento de frustração de quem segue o que os outros acreditam ser o correto e melhor em termos de carreira. Um auto engano que pode levar a sensação de fracasso com o passar dos anos. O empreendedorismo é um caminho a ser levado em conta, quando não nos encontramos em carreiras tradicionais, embora a autora reafirme que não se pode generalizar, pois nem todos serão verdadeiramente felizes empreendendo. A autora deixa algumas perguntas para reflexão, como esta: “o que realmente me impede de mudar o rumo e a direção da minha vida profissional hoje?”.

O apego a tecnologias também é outro assunto desse livro. A autora faz observações interessantes sobre o uso do celular hoje em dia, como por exemplo, a falsa sensação de estarmos “acompanhados” ao utilizar o aparelho. O resultado, segundo ela, é que desperdiçamos momentos de convívio real dando mais atenção para conversas em redes sociais. Sua sugestão para o leitor fala de reavivar a sensação boa de um olho no olho até contemplar a natureza, sem a preocupação de registrar tudo em nossos aparelhinhos móveis, já que o que é realmente importante fica na nossa memória. 

Ao final do livro, Cherrine aborda as diferentes gerações e sua relação com o desapego. São elas, Geração Perdida (de 1883 a 1900), Geração Grandiosa (de 1901 a 1924), Geração Silenciosa (de 1925 a 1942), Baby Boomers (de 1943 a 1960), Geração X (de 1960 até o fim dos anos 1970), Geração Y (de 1980 a 1990) e Geração Z (de 1990 a 2000). Eu faço parte da Geração Y, mas me identifiquei com algumas características da Geração Z, segundo as descrições da autora.

Em resumo, as gerações mais novas foram se desapegando dos bens materiais, profissão e família, no sentido de se preocupar menos com o coletivo, com o poupar e acumular, e mais com as experiências individuais e efêmeras. Contudo, encontrar o equilíbrio entre o apego e o desapego é o melhor caminho, segundo Cherrine. Mesmo que seja difícil, todos nós somos capazes de modificar nossos comportamentos e hábitos em busca de uma vida mais plena. Podemos aproveitar a oportunidade para aprendermos uns com os outros, especialmente com pessoas de outras gerações. 

sábado, 26 de novembro de 2016

Design de interiores: projeto para cozinha, sala de estar e jantar integradas

Até hoje, um dos projetos mais especiais que fiz como designer de interiores foi para o apê de uma amiga querida. O ponto de partida foi a demolição de uma das paredes do seu apartamento com a intenção de integrar cozinha, sala de estar e jantar, deixando tudo mais amplo e harmonioso. Neste post vou mostrar mais detalhes desse projeto!

Projeto de Carina Pedro em 3D da cozinha, sala de jantar e sala de estar
Projeto em 3D da cozinha/sala de jantar/ sala de estar. 

Para começar este projeto, no lugar da parede demolida, projetei um balcão no mesmo comprimento do sofá já existente e também com a profundidade e altura suficientes para encaixar um armário e dar apoio aos usuários na cozinha. Assim, dividimos os espaços, mas mantemos a integração entre eles. Quem estiver trabalhando na cozinha, por exemplo, pode ver TV e conversar com quem estiver na sala de jantar/estar. Para saber mais, não deixe de ler o meu post sobre ergonomia na bancada de trabalho da cozinha

Na execução desse balcão foi escolhido gesso para fazer a caixa onde seria colocado o móvel planejado, já que havia a necessidade de mais espaço para armazenamento na cozinha. Foi colocado um tampo em pedra natural para criar uma superfície compatível com as funções do ambiente e dois pendentes com luz direcionada para execução de tarefas no balcão. Os pendentes escolhidos também ajudaram na decoração. 

Vista da cozinha com a parede demolida.
Vista da cozinha com a parede demolida.

Vista da cozinha com o projeto do balcão executado.
Vista da cozinha com o projeto do balcão executado.

Estudo preliminar no local da parede demolida.
Estudo preliminar no local da parede demolida.

Vista da cozinha e sala de estar com o projeto do balcão executado.
Vista da cozinha/sala de estar com o projeto do balcão executado. 

Enquanto isso, na sala de jantar, tínhamos uma situação um pouco diferente. Já havia uma mesa bem bacana e quadros dispostos na parede. Minha proposta foi trazer um pouco de cor para demarcar esse cantinho que também pode ser utilizado para trabalho. Tinha pensado inicialmente no verde escuro aplicado na parede para “quebrar” a monotonia do branco e a sensação de confinamento, mas conversando melhor, chegamos a outra cor muito apreciada pela minha amiga, o mostarda, que é um tom quente, elegante e super adequado para a função desse ambiente. 

A opção por essa cor não fugiu da paleta pré-existente no espaço. Havia ali tons de bege e marrom nos móveis e no piso e o verde das plantinhas da varanda, cores que remetem à natureza, que minha amiga tanto gosta, com as quais o mostarda harmoniza super bem. Para não ter dúvidas de que a cor escolhida ia dar certo, foi só comprar uma pequena amostra da cor e testar em um pedacinho da parede. Por fim, para equilibrar a composição, optamos por uma cortina em tom claro e neutro na sala de estar. Se quiser saber mais, leia também meu post sobre uso de cores nas paredes.

teste prévio da cor na parede
Teste prévio da cor na parede. 

Antes e depois da sala de jantar
Antes e depois da sala de jantar. 

Nesse mesmo projeto, ainda escolhemos a cor da tinta para uma das paredes do dormitório e trocamos ideias sobre um closet. Não preciso nem dizer que foi um grande prazer fazer esse trabalho, não só porque foi para uma amiga querida, mas porque fico muito satisfeita toda vez que alguém me pede ajuda, acreditando que o designer de interiores pode transformar o seu ambiente por meio de soluções acessíveis, personalizadas e eficientes.  

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