quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Variedades: O Topo da Montanha com Lázaro Ramos e Taís Araújo

Neste último domingo fui assistir à peça "O Topo da Montanha" com Lázaro Ramos e Taís Araújo no Teatro FAAP em São Paulo. O tema em questão sempre atraiu minha atenção no cinema, desta vez, no teatro, foi uma experiência nova e muito bem-vinda. Posso dizer que esta é uma das melhores peças que já vi, com momentos de drama e humor na dose certa. 

Lázaro Ramos e Taís Araújo ao final da peça O Topo da Montanha. 

Lázaro Ramos é nada menos que o reverendo Martin Luther King, conhecido líder do movimento pelos direitos civis dos negros nos EUA, entre os anos 50-60 do século XX. A atriz Taís Araújo interpreta a camareira Camae (se fala “camei”), uma pessoa de opinião forte, que não tem medo de expor suas ideias para o líder e de fazê-lo refletir sobre a sua vida em diversos momentos da conversa. Eles se encontram no quarto 306, onde Martin está hospedado após fazer o discurso que dá nome à peça. 

No início da peça o bate-papo entre os personagens é leve e descompromissado. Falam sobre cigarros, aparência física, família, sem perder o humor crítico, como no momento em que Camae comenta que ficou o dia “passando o cabelo” e não queria molhá-lo na chuva. A conversa fica mais séria quando Martin, após ouvir críticas de Camae, pergunta o que a camareira diria aos seus seguidores se estivesse no seu lugar. Nesta hora, Camae fala sobre o racismo em um dos momentos mais emocionantes da peça. 

Muitas revelações surpreendentes estão por vir, mas não posso estragar a surpresa de quem ainda vai assistir à peça! Achei que as reflexões pessoais de um líder como Martin L. King e as colocações da camareira Camae são muito pertinentes nos dias atuais. Em termos sociais e políticos, há muita coisa a se fazer nas questões que envolvem os negros no nosso país, que como os EUA, vivenciou a escravidão africana no passado.   

Cenário antes do início da peça O Topo da Montanha.
Fotos: O topo da Montanha / Teatro FAAP, SP (acervo pessoal)

Imagens de outros líderes negros que se destacaram são projetadas no cenário ao final da peça, servindo como inspiração na luta por um mundo mais justo e livre do racismo. Aliás, observar a interação dos atores com os objetos de cena e registrar o cenário é algo que sempre faço. Neste caso, o interior do quarto 306 tinha um toque vintage, como era de se esperar. O movimento dos móveis e de outros itens pelo cenário acompanha as revelações que são feitas ao longo da peça. Muito interessante!

Quem tiver a oportunidade recomendo muito a peça "O Topo da Montanha"! Uma outra dica, na sessão de sábado, os atores batem um papo com o público depois da peça. E, como falei no início do post, tem filmes ótimos que nos levam a pensar e debater esse tema tão importante e atual, destaque para Selma, Histórias Cruzadas, O Mordomo da Casa Branca e Preciosa.

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