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terça-feira, 12 de julho de 2016

Festival Santos Café 2016: degustação, exposição e música

De 8 a 10 de julho aconteceu o “Festival Santos Café 2016” no centro histórico da cidade de Santos. Fui conferir algumas atrações do último dia e aprendi técnicas básicas de preparação do café, além de poder degustar essa bebida que eu amo! Aproveitei também para ver exposições, conhecer os interiores de dois edifícios históricos do bairro do Valongo e ouvir a boa música da banda Big Time Orchestra. 

Bonde turístico passando pela Rua do Comércio, Santos-SP. Foto: Carina Pedro
Bonde turístico passando pela Rua do Comércio, Santos-SP.

A cidade de Santos tem uma relação muito forte com a história do café. Desde o século XIX o porto de Santos é responsável por escoar a produção de grãos vinda do interior de São Paulo. A economia cafeeira promoveu mudanças definitivas na cidade, entre elas, a atração de comerciantes que trabalhavam com a exportação do café e com a importação de artigos estrangeiros. Trato do tema no meu livro, Casas Importadoras de Santos e seus Agentes.

As transformações marcantes que a cidade sofreu ao longo de décadas por conta desse comércio tornam compreensível a homenagem à bebida por meio de um festival. Assim, mais pessoas são atraídas para conhecer e interagir nesse histórico centro comercial. O Museu do Café, na Rua XV de novembro, foi minha primeira parada. Quis conferir a apresentação “Dica do Barista” para aprender a fazer um café mais saboroso com os profissionais do Centro de Preparação do Café (CPC).

Barista explicando como fazer café no Museu do Café - Santos. Foto: Carina Pedro
Barista explicando como fazer café no Museu do Café. 

O barista começou a demonstração esquentando a água até a temperatura de 90 graus, pois a água fervida queima o pó e ainda faz mal à saúde. Em seguida, escaldou o filtro de papel com água quente para evitar alterações no sabor da bebida. Depois de moer o grão selecionado, oriundo das fazendas de Minas Gerais, o pó foi colocado dentro do filtro e, aos poucos, foi adicionada a água quente com movimentos circulares. 

Fiquei sabendo que quanto mais tempo leva para água passar pelo pó, mais cafeína é liberada. Isso não quer dizer que o café ficará com gosto forte. Se essa for nossa intenção é só adicionar mais pó e pronto! Lembrando que um bom café deve ser tomado sem açúcar para que o sabor natural seja saboreado. Depois de pronto, não se deve deixar a bebida por mais de uma hora na garrafa térmica, assim como o pó, que deve ser consumido em no máximo um mês. 

Salão da Construtora Phoenix - Santos. Foto: Carina Pedro
Salão da Construtora Phoenix. 

Interior da Casa da Frontaria Azulejada - Santos. Foto: Carina Pedro
Interior da Casa da Frontaria Azulejada. 
Fotos: Festival Santos Café 2016 (acervo pessoal)

Depois da degustação, fui ver a exposição “Coffee break: diálogos sobre o café”, na Construtora Phoenix, com pinturas, desenhos, fotografias, que remetiam à cultura do café. Eu nunca tinha entrado nesse edifício e fiquei encantada com a imponência do salão onde estavam as artes. Em seguida, visitei a Casa da Frontaria Azulejada, na Rua do Comércio. Conferi por lá a exposição “Do café ao cafezinho”, com painéis informativos sobre o produto, e registrei o seu belo interior, com as marcas do tempo ressaltadas pela iluminação cenográfica. 

No início da noite assisti ao show da Big Time Orchestra, banda super animada e talentosa que agitou o final do festival na Rua do Comércio. Para quem não viu, a banda participou do programa SuperStar na Rede Globo e arrasou com seus metais poderosos, visual retrô e releituras muito bacanas de sucessos mundiais.

E se você como eu adora café, expressei meu amor pela bebida aqui no blog em outros dois posts "TOP 5 lugares para tomar café em Santos" e "Cantinhos charmosos para a hora do café". É só clicar nos links em laranja

sábado, 31 de outubro de 2015

Evento: lançamento do livro Casas Importadoras de Santos e seus Agentes na Livraria da Vila (SP)

Hoje vim atualizar as notícias sobre o lançamento do meu livro "Casas Importadoras de Santos e seus Agentes" e também fazer um convite muito especial! (contei mais sobre a publicação neste post).

Há alguns dias respondi uma entrevista super bacana para o blog da Ateliê Editorial, a editora que publicou o meu livro com apoio da Fapesp e do Museu do Café. A jornalista Renata de Albuquerque me fez algumas perguntas relacionadas a minha trajetória acadêmica e a minha pesquisa de mestrado, que deu origem a essa publicação. 

Nas respostas, entre outras coisas, falo sobre o consumo no Brasil, por que escolhi investigar a cidade e o Porto de Santos, objetos que eram importados no século XIX, o que tem em comum entre aquela época e os dias atuais. O título do post é "Para entender a sociedade de consumo" (clique no link em laranja para ler a entrevista).

A boa notícia é que o lançamento do livro será no próximo dia 3 de novembro (terça-feira), na Livraria da Vila, em São Paulo. Estou muito feliz em poder compartilhar este momento especial aqui no blog! Segue abaixo o convite do evento com mais informações:

Carina Pedro - livro "Casas importadoras de Santos e seus Agentes" - lançamento em 3 de novembro de 2015 na Livraria da Vila - São Paulo


Nos vemos lá! =)

sábado, 3 de outubro de 2015

Livro: lançamento de "Casas Importadoras de Santos e seus Agentes" de Carina Pedro

No post de hoje vou falar de uma publicação muito especial: o livro "Casas Importadores de Santos e seus Agentes", resultado de uma pesquisa de três anos que realizei no programa de pós-graduação da USP. Enquanto me dedicava a esse longo trabalho, não imaginava os frutos que iria colher, muito menos a alegria de vê-lo publicado cinco anos depois. Foi com esse trabalho que aprendi a pesquisar a fundo, a ser mais crítica, a escrever melhor e também buscar caminhos diferentes para compreender melhor a relação dos homens com os seus objetos.

Livro "Casas Importadoras de Santos e seus Agentes", autora Carina Pedro
Livro "Casas Importadoras de Santos e seus Agentes". Serviu como cenário para esta foto o Museu Pelé, que no passado foi um dos endereços das casas importadoras, e o bonde, que hoje também é uma atração turística da cidade. 

Este livro trata do comércio de artigos importados no final do século XIX. Mais especificamente sobre um período da história de Santos e de São Paulo marcado por transformações intensas. O que pouca gente sabe é que o Porto de Santos, mais conhecido pela exportação de café, também estava se tornando a principal porta de entrada de uma ampla gama de produtos estrangeiros, que abrangia o universo da alimentação, da moda, da decoração, entre outros.  

Meu ponto de partida foi investigar um grupo de comerciantes que estava diretamente ligado à circulação e introdução desses produtos em São Paulo: os importadores. A atuação deles foi tão intensa que provocou mudanças impactantes para época, desde melhorias físicas na área portuária até a criação de novos hábitos de consumo. Sobre os produtos, quem ler o livro, vai descobrir o que cada casa importadora trazia, mas já adianto, tem de tudo um pouco, de alimentos em conserva, chapéus, camas de ferro, roupas brancas, velas, até esterco e garrafas vazias.  

Parte do que era importado ficava aqui mesmo na cidade de Santos. Algumas lojas santistas dessa época também estão no livro com suas formas de anunciar e apresentar os produtos aos clientes. Havia algumas com nome em francês, o que dava status na época, outras curiosas, como "Ao ladrilho de Ouro". Aliás, essa loja era uma autêntica representante do ramo de artigos para casa do século XIX, já que vendia ladrilhos e azulejos, mas também lavatórios, caixas automáticas, pias de ferro esmaltado para cozinha, torneiras, chuveiros, papéis pintados e muito mais!

Aproximando a minha pesquisa dos assuntos que estudei depois de finalizá-la é interessante notar que não havia menção às palavras design e personal organizer nos oitocentos, pelo fato de serem atividades que só no período mais recente foram consideradas como profissão. Porém, isso não quer dizer que não houvesse uma preocupação com a decoração e organização dos ambientes domésticos e comerciais. Ocorria um esforço crescente para encontrar maneiras de expor os produtos e colocá-los bem à vista nos interiores das lojas ou na decoração da casa. Daí nasceu a estratégia de criar uma bela vitrine para atrair os clientes e de mostrar bom gosto nos espaços internos por meio de objetos importados que uniam utilidade e beleza. 

Para quem se interessou pelo assunto o livro "Casas Importadoras de Santos e seus Agentes" já está à venda no site oficial da Ateliê Editorial. É só clicar no link em laranja. Aproveito para agradecer a todos que me ajudaram a concretizar esse projeto e ao apoio da FAPESP e do Museu do Café. Em setembro, também tive a oportunidade de ministrar uma aula-palestra no curso de História de São Paulo, no CIEE, em que pude compartilhar um pouquinho desse livro para uma plateia incrível.

Carina Pedro ministrando palestra no CIEE sobre o tema do livro "Casas importadoras de Santos e seus agentes"
Foto: equipe CIEE. Eu, Carina Pedro, ministrando a aula-palestra "De chita a locomotiva: tudo era importado" no curso de História de São Paulo, CIEE - São Paulo. 

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