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terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Design de interiores: o cronograma da obra

Em tempo de urgências esperar uma obra ser executada pode causar estresse e frustração. Aquele sonho de transformar o espaço vira um pesadelo que parece não ter fim. Então, se queremos reformar, como podemos nos preparar para esse período de mudanças?

exemplo de cronograma de obra em design de interiores
Exemplo de cronograma da obra.
Fazer um cronograma da obra facilita todo o processo. Temos uma estimativa do tempo que cada fase da reforma vai durar e, por consequência, uma previsão do tempo que levará para tudo ficar pronto. Assim podemos nos programar para viver esse período com mais tranquilidade.

Há projetos e projetos, de complexidades diferentes, cujo tempo de elaboração e execução pode variar bastante. Imaginando que nosso projeto de interiores seja modificar o ambiente por completo, podemos inserir as seguintes fases no nosso cronograma de obra:

1. Fase do "quebra-quebra": demolição, troca de revestimento nas paredes e no piso, mudanças de pontos elétricos e hidráulicos. Muitos dos materiais para essa fase da obra são encontrados à pronta entrega, porém é preciso confirmar essa informação  nas lojas e inserir no cronograma, assim como a disponibilidade dos profissionais envolvidos, como pedreiros e eletricistas.

2. Fase da iluminação: aplicação de gesso, pintura, instalação da iluminação. Aqui também é possível encontrar os materiais à pronta entrega nas lojas do ramo. Se for uma iluminação especial, é preciso consultar o prazo de entrega com o fornecedor, assim como a disponibilidade da mão de obra para fazer a instalação.  

2. Fase do mobiliário: tanto móveis planejados como convencionais podem ter prazos de projeto e entrega mais estendidos, levando alguns meses para ficarem prontos. Por isso é importante verificar nas lojas e marcenarias a previsão de entrega e montagem. Se for o caso, o acerto com os prestadores de serviço do ramo pode ser feito na fase anterior.

3. Fase da decoração: chegar a esta fase significa estar com a obra praticamente concluída. Decoração inclui objetos e outros detalhes que ajudam a personalizar o espaço e a organizá-lo. Aquela cereja do bolo que só entra em cena na finalização da obra e que também pode envolver outros profissionais, como o personal organizer. Também é importante inserir esta fase no cronograma para saber quando o espaço vai estar pronto.

Montar um cronograma para gerenciar as diferentes fases de uma obra pode evidenciar que o período de execução tomará mais tempo do que o esperado. Por outro lado, é importante trabalhar com prazos reais, que nos permitam planejar o nosso tempo, evitando aquela ansiedade excessiva que só atrapalha a transformar sonhos em realidade.

sábado, 26 de novembro de 2016

Design de interiores: projeto para cozinha, sala de estar e jantar integradas

Até hoje, um dos projetos mais especiais que fiz como designer de interiores foi para o apê de uma amiga querida. O ponto de partida foi a demolição de uma das paredes do seu apartamento com a intenção de integrar cozinha, sala de estar e jantar, deixando tudo mais amplo e harmonioso. Neste post vou mostrar mais detalhes desse projeto!

Projeto de Carina Pedro em 3D da cozinha, sala de jantar e sala de estar
Projeto em 3D da cozinha/sala de jantar/ sala de estar. 

Para começar este projeto, no lugar da parede demolida, projetei um balcão no mesmo comprimento do sofá já existente e também com a profundidade e altura suficientes para encaixar um armário e dar apoio aos usuários na cozinha. Assim, dividimos os espaços, mas mantemos a integração entre eles. Quem estiver trabalhando na cozinha, por exemplo, pode ver TV e conversar com quem estiver na sala de jantar/estar. Para saber mais, não deixe de ler o meu post sobre ergonomia na bancada de trabalho da cozinha. 

Na execução desse balcão foi escolhido gesso para fazer a caixa onde seria colocado o móvel planejado, já que havia a necessidade de mais espaço para armazenamento na cozinha. Foi colocado um tampo em pedra natural para criar uma superfície compatível com as funções do ambiente e dois pendentes com luz direcionada para execução de tarefas no balcão. Os pendentes escolhidos também ajudaram na decoração. 

Vista da cozinha com a parede demolida.
Vista da cozinha com a parede demolida.

Vista da cozinha com o projeto do balcão executado.
Vista da cozinha com o projeto do balcão executado.

Estudo preliminar no local da parede demolida.
Estudo preliminar no local da parede demolida.

Vista da cozinha e sala de estar com o projeto do balcão executado.
Vista da cozinha/sala de estar com o projeto do balcão executado. 

Enquanto isso, na sala de jantar, tínhamos uma situação um pouco diferente. Já havia uma mesa bem bacana e quadros dispostos na parede. Minha proposta foi trazer um pouco de cor para demarcar esse cantinho que também pode ser utilizado para trabalho. Tinha pensado inicialmente no verde escuro aplicado na parede para “quebrar” a monotonia do branco e a sensação de confinamento, mas conversando melhor, chegamos a outra cor muito apreciada pela minha amiga, o mostarda, que é um tom quente, elegante e super adequado para a função desse ambiente. 

A opção por essa cor não fugiu da paleta pré-existente no espaço. Havia ali tons de bege e marrom nos móveis e no piso e o verde das plantinhas da varanda, cores que remetem à natureza, que minha amiga tanto gosta, com as quais o mostarda harmoniza super bem. Para não ter dúvidas de que a cor escolhida ia dar certo, foi só comprar uma pequena amostra da cor e testar em um pedacinho da parede. Por fim, para equilibrar a composição, optamos por uma cortina em tom claro e neutro na sala de estar. Se quiser saber mais, leia também meu post sobre uso de cores nas paredes.

teste prévio da cor na parede
Teste prévio da cor na parede. 

Antes e depois da sala de jantar
Antes e depois da sala de jantar. 

Nesse mesmo projeto, ainda escolhemos a cor da tinta para uma das paredes do dormitório e trocamos ideias sobre um closet. Não preciso nem dizer que foi um grande prazer fazer esse trabalho, não só porque foi para uma amiga querida, mas porque fico muito satisfeita toda vez que alguém me pede ajuda, acreditando que o designer de interiores pode transformar o seu ambiente por meio de soluções acessíveis, personalizadas e eficientes.  

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Design de interiores: projeto com lambe-lambe

Um dos posts mais lidos do blog é sobre lambe-lambe nas paredes. A ideia de usar esse cartaz urbano no design de interiores residenciais e comerciais tem conquistado mais e mais pessoas, dando origem a projetos bem interessantes. Eu mesmo tive o prazer de realizar um projeto muito bacana para uma cliente que chegou até mim por meio desse post que escrevi há mais de um ano. Hoje vou falar mais sobre esse projeto com lambe-lambe. 

Projeto em 3D do ambiente com lambe lambes nas paredes feito por Carina Pedro
Projeto em 3D do ambiente com lambe lambes nas paredes. 

O primeiro passo para desenvolver um projeto de interiores com lambe-lambes é avaliar o local onde se deseja fazer a aplicação. É importante verificar se não há umidade, nem algum produto que possa reagir com a cola utilizada na instalação desses cartazes de papel. No caso de paredes, será preciso fazer a medição do pé direito e do comprimento da parede para podermos calcular a área da aplicação e fazer o orçamento do metro quadrado com as gráficas. 

No projeto com lambe-lambe podemos criar composições personalizadas com cartazes de tamanhos diferentes. Escolhemos para o ambiente da minha cliente cartazes no tamanho de 30 x 42 cm (folha A3) para aplicar em uma parede de aproximadamente 10 metros quadrados. Com isso, calculamos a quantidade de lambe-lambes necessários para o projeto. Há outros tamanhos de lambes, porém é importante verificar a resolução das imagens para que a impressão fique boa. 

estudo das dimensões das paredes feito por Carina Pedro
Estudo das dimensões das paredes e quantidade de lambe lambes no tamanho A3. 

Em seguida, começamos a seleção de imagens para compor o painel, de olho nos temas, cores e na resolução, para garantir uma impressão de boa qualidade no tamanho A3. Minha cliente desejava ver em sua parede uma mistura de lambe-lambes com textos e frases bacanas, fotografias de cidades famosas, seus pontos turísticos e, se possível, fotos pessoais de viagem.

Pesquisei em sites e blogs que compartilham artes prontas, pagas e gratuitas. Encontrei muita coisa legal para baixar no site Schutterstock, nos blogs Homens da Casa, Dcoração, Casa de Colorir, A Casa que minha Vó queria e no Pinterest. Também usei fotos de viagens da cliente que estavam com boa resolução. Com as artes escolhidas montei várias composições até chegar a um resultado bacana, em que as cores e estampas estivessem formando um conjunto harmonioso dentro do conceito do projeto. 

Com a composição final aprovada pela cliente chegou o momento de executar o projeto. A gráfica escolhida para esse trabalho foi a Gráfica Fidalga, de São Paulo, especializada em produção e instalação de lambe-lambes. A condição para impressão é o envio das artes prontas no tamanho A3, em PDF. Em alguns casos, como as fotografias, foi preciso fazer uso do Photoshop para os ajustes finais. Nesse mesmo projeto ainda imprimimos alguns lambe-lambes a mais para serem emoldurados e pendurados em outros cantinhos do ambiente. Veja fotos do "antes" e "depois":

fotos das paredes do cliente antes dos lambes lambes
Fotos das paredes antes dos lambe-lambes.

fotos das paredes depois da aplicação dos lambe lambes
Fotos das paredes depois da aplicação dos lambe-lambes.

lambes excedentes para moldura de tamanho A3
Lambes excedentes para molduras de tamanho A3. 

Até a aprovação final da cliente se sucederam etapas importantes do meu trabalho como designer de interiores. O lambe-lambe foi um ponto de partida para outras intervenções que fizemos nesse ambiente. O projeto serviu para que tudo saísse como desejado com o orçamento disponível. A cliente ficou super satisfeita e feliz com o resultado final e eu igualmente alegre por ajudar a transformar ideias boas em realidade. 

quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Livro: organização dos espaços e desenvolvimento das crianças

Muito se tem falado sobre Maria Montessori e o seu método pedagógico aplicado aos projetos de interiores. Como é uma influencia que veio do universo escolar, nada melhor do que entender essa proposta e outras afins lendo o texto de uma educadora infantil. Foi assim que me interessei pelo livro “Sabores, cores, sons, aromas. A organização dos Espaços na Educação Infantil” de Maria da Graça Souza Horn. 

Livro: "Sabores, cores, sons e aromas", de Maria da Graça Souza Horn
Livro "Sabores, Cores, Sons, Aromas", de Maria da Graça Souza Horn. 

A autora fala no início do livro sobre sua preocupação com as salas de aula de educação infantil no Brasil, no que diz respeito à existência de poucos objetos e de uma organização do espaço ineficiente para o desenvolvimento das crianças. A pesquisadora também deixa claro que de nada adianta a existência desses elementos, se o adulto responsável não entende a importância de incentivar a autonomia das crianças em um espaço pensado para elas. 

Podemos entender melhor o significado dessa autonomia lendo a pesquisa da autora sobre uma escola de educação infantil localizada em Porto Alegre (RS). É muito interessante acompanhar as mudanças que ocorrem nas suas salas de aula, organizadas de modo mais tradicional, aos poucos modificadas por outra concepção pedagógica apresentada pela nova coordenação. Coordenação que, aliás, apresenta sua proposta também intervindo no espaço, tornando-o mais acolhedor para os professores da casa. 

Os relatos dos profissionais envolvidos, ao perceberem na prática como os adultos e as crianças reagem às transformações ocorridas no seu espaço, são importantes fontes de estudo para autora. É perceptível a mudança de comportamento do grupo, que se torna pouco a pouco mais satisfeito com os resultados obtidos. As crianças mais ativas e entretidas com os materiais à disposição na sala reorganizada e os professores mais animados com as novas possibilidades de aprendizagem dos seus alunos.

No livro podemos conhecer também vários teóricos nacionais e estrangeiros que abordam a criação de um espaço organizado que desafie as crianças, promova novos aprendizados e, o mais importante, onde a figura do adulto não é central. Entre eles está Maria Montessori, médica italiana, que pensou num ambiente educativo onde a criança pudesse se movimentar com liberdade e executar várias atividades sem intervenção direta do adulto, desde desenhar até reproduzir as tarefas de uma casa, como cozinhar, lavar, etc. 

Móveis e objetos na altura da criança
Móveis e objetos na altura das crianças (Loja Projeto Criança).

Nessa perspectiva os objetos e os cenários devem ser atraentes de modo que as crianças sintam vontade de interagir, brincar, trabalhar no espaço, com a presença do adulto, mas sem que ele interfira constantemente nas suas escolhas e execução das tarefas. Para isso acontecer, são recomendadas peças de mobiliário em que se destaquem diferentes formas e cores, assim como uma organização adequada para atender as necessidades das crianças, de modo que elas se sintam seguras e confortáveis ao explorar o espaço.

As ideias de Montessori e outras afins, aplicadas nessa escola gaúcha, também servem de inspiração para projetos residenciais em que a criança é o foco. Gostei muito da criação de cantinhos de atividades, onde a criança pode ler, brincar de bonecas, carrinhos, cabana, casinha ou desenho. Hoje em dia, há muitos móveis e objetos à venda no mercado para montar esses cantinhos. Podemos escolher entre diversos modelos de mesinhas, cadeiras, casinhas, estantes, camas, que compõem linhas de móveis infantis, por vezes, denominadas como “montessorianas”.

Sempre acreditei na influência que os espaços e os seus elementos exercem sobre as pessoas. Por esse motivo, o livro da educadora Maria Horn me envolveu bastante do começo ao fim. Saber o quanto as crianças aprendem com os objetos e com a organização do ambiente só confirmou a minha expectativa de que desde muito novos somos sensibilizados pelas coisas materiais que fazem parte do nosso cotidiano e da nossa cultura. Sendo assim, não podemos ignorar a necessidade de pensar com cuidado nos ambientes dos nossos pequenos.

Cama montessoriana
Cama baixa conhecida como "cama montessoriana" (Loja Projeto Criança). 

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Design de interiores: cortinas e persianas

Pode ser que você não repare muito nelas, mas cortinas e persianas estão presentes na maioria dos ambientes de uma casa. Elas exercem funções importantes, desde decorar até proporcionar mais conforto. Sendo um produto da categoria têxtil é importante o designer de interiores pesquisar sobre os tipos de tecidos, conhecer os modelos e as novidades para poder orientar seus clientes e especificar adequadamente no projeto. 

Existem algumas diferenças básicas entre cortinas e persianas. Vamos saber qual dos modelos é o mais indicado para o projeto ao analisar as necessidades e preferências de estilo dos usuários do espaço. Neste post comento algumas características de ambas:

À esquerda, cortina de ilhós no varão duplo de metal e à direita persiana rolô.
À esquerda, cortina de ilhós no varão duplo de metal e à direita persiana rolô.

Cortinas

Cortinas são ótimas para criar uma atmosfera acolhedora no ambiente, especialmente em quartos de dormir e salas de estar. Ajudam a controlar a luminosidade, a temperatura (leia mais no post “dicas para resfriar os ambientes”) e a compor a decoração do cômodo, podendo ser combinadas com enxovais, tapetes, almofadas e estofados.

É possível trabalhar com composições de tecidos de diversos tipos. No mercado há opções 100% natural, como algodão e linho, 100% sintéticos, como o poliéster, e os misturados. Os dois últimos têm melhor custo-benefício e facilidades na manutenção. Há ainda o tecido conhecido como blackout, que pode substituir o forro para bloquear a luz que vem de fora, combinando com outros tecidos mais leves e estampados, ou até mesmo sozinho. 

Cortinas podem ser colocadas em trilhos ou varões simples, duplos ou triplos. Em trilhos, presas no teto, as cortinas ficam muito bonitas com pregas que criam um belo movimento. Já os varões ficam à vista, a uma certa distância do teto, e dependendo do efeito que se quer criar, podemos escolher entre o modelo de madeira ou de metal colorido. Neles as cortinas podem ser presas com alças, argolas, laços, ilhós.

Modelo de prega, varão e ilhós para cortinas. 
Fotos: Cortinas e persianas no design de interiores (acervo pessoal)

Persianas

Em um espaço mais minimalista e compacto, em que as cortinas ocupariam um volume precioso, as persianas tornam-se a solução ideal. Há vários modelos no mercado, entre elas, a rolô, romana e de alumínio. A variedade de tecidos das cortinas também vale aqui, inclusive o blackout. Outra opção interessante que encontramos à venda é a persiana anti-chama, que funciona muito bem em uma janela perto do fogão, por exemplo.  

Para um orçamento é importante fazer a medição correta do espaço da janela onde será instalada uma cortina ou persiana. Já o cálculo da quantidade de tecido deve ser feito por uma empresa especializada na confecção desse tipo de produto. Os preços podem variar bastante de um modelo para o outro e também de uma empresa para outra. Vale a pena fazer uma pesquisa de mercado!

sábado, 2 de julho de 2016

Design de interiores: circulação nos ambientes residenciais

Uma das principais preocupações do designer de interiores é encontrar soluções que garantam a boa circulação das pessoas nos ambientes residenciais. Em espaços de pequenas ou grandes dimensões podem ocorrer erros que prejudicam a mobilidade dos usuários e a funcionalidade dos objetos ali colocados. Esta é mais uma questão que mostra a importância de se fazer um projeto de interiores. 

Pensar na circulação é investigar se o nosso corpo vai se sentir confortável no espaço ao executar atividades no dia-a-dia. Para chegar a bons resultados de ergonomia, precisamos antes de tudo conhecer as dimensões do corpo humano e o espaço que a gente ocupa. Preencheremos o ambiente com os móveis e objetos que precisamos na condição de não impossibilitar, não nos machucar nem limitar os nossos movimentos. 

Para pessoas que têm facilidade de enxergar espacialmente, algumas medidas são mais óbvias, para outras, nem tanto. Sem planejamento, abrir uma simples porta para mexer no guarda-roupa pode nos levar a um malabarismo. Além do espaço necessário para andar, temos que considerar também outros movimentos, como levantar, sentar, agachar, abrir, mexer em gavetas e prateleiras.

É claro que tudo vai depender das necessidades dos usuários para os quais estamos projetando. Idosos, crianças, adultos, cadeirantes possuem demandas diferentes nos interiores residenciais. Mesmo assim, podemos falar em algumas medidas básicas que são recomendadas para se ter uma boa circulação nos ambientes da casa e que costumam gerar dúvidas em projetos: 

planta baixa de dormitório - Carina Pedro - medidas baseadas no livro de Miriam Gurgel, "Guia de Interiores para áreas residenciais"
Planta baixa com medidas recomendadas de circulação no dormitório, sala de jantar e sala de estar. Referência das Medidas: Miriam Gurgel, "Projetando Espaços: Guia de Interiores para áreas residenciais".

Largura de corredores: 100 cm 
Espaço ao redor da cama: 60 cm 
Espaço para acessar o guarda-roupa: 100 cm 
Espaço entre sofá e mesa de centro: 60 cm 
Espaço entre o tampo de uma mesa e a parede ou outro móvel: 110 cm (50 cm para cadeira mais 60 cm para circulação)

As portas da casa também possuem diferenças de tamanho importantes que facilitam a circulação entre os ambientes. Medidas ideais para portas: 

De entrada: 90 cm
Em dormitórios e cozinhas: 80 cm
Banheiros: 70 cm

As medidas recomendadas devem ser seguidas sempre que possível nos projetos de interiores. Elas podem variar em casos específicos, sempre para melhorar a circulação das pessoas no espaço. Se quiser saber mais sobre as necessidades dos idosos, tem um post no blog sobre “cuidados na casa do idoso”. Também fiz uma reflexão no post sobre “ergonomia na bancada de trabalho da cozinha”. É só clicar nos links em laranja!

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Profissão: problemas e soluções no design de interiores

Uma das coisas mais legais do design de interiores é poder melhorar a relação das pessoas com seu espaço. Em uma conversa informal percebo muitas dúvidas no ar, que envolvem desde a colocação de uma peça decorativa até a distribuição dos móveis no ambiente. Tem pessoas que buscam soluções sozinhas, outras vão às lojas especializadas e algumas contratam os profissionais da área. Este post é para comentar cada um desses caminhos possíveis.  

Buscar soluções por conta própria é uma das maneiras de resolver os problemas que nos incomodam no espaço, mas é preciso ter tempo disponível para botar a mão na massa. É importante saber que todo projeto bem sucedido, por mais simples que seja, tem uma fase de identificação das necessidades, outra de pesquisa e execução. Optar pelo caminho do "faça você mesmo", quando isso envolve uma atividade que gostamos muito, pode ser prazeroso e gratificante. Do contrário, pode resultar em um gasto desnecessário e retrabalho. Aqui no blog tem alguns exemplos felizes de DIY: reforma do meu criado-mundo, caixinhas de MDF decoradas e minha experiência com a tinta lousa. 

As lojas especializadas em design e decoração também são outro caminho possível. Algumas delas estão em locais bem acessíveis, como shoppings e centros comerciais, possuem boa reputação e contam com vendedores formados na área, desenvolvendo projetos e prestando assessoria no seu ramo de negócio. Ressalto que isso não é uma regra, infelizmente. Já vi casos em que o lojista oferece o serviço de decoração, por exemplo, sem ter de fato uma equipe bem treinada. Outra coisa que acontece é o lojista encaminhar o cliente para um de seus parceiros. Nem sempre, contudo, seu produto ou serviço terá o melhor custo x benefício, já que as indicações envolvem comissões. Para saber mais sobre isso tem este vídeo muito interessante da designer de interiores Erika Karpuk:

 Sobre projetos de decoração online + reserva técnica no Youtube

Contactar os profissionais da área de design de interiores é muitas vezes o caminho mais indicado, porém pode ser também o menos procurado. São muitas as razões desse distanciamento do público, como o fato da profissão ser pouco conhecida, assim como a ideia de ser um serviço supérfluo e caro. Por outro lado, acredito que a complexidade do problema e o conhecimento de quem está capacitado para resolvê-lo da melhor forma possível levam as pessoas a confiarem suas casas aos profissionais que oferecem soluções personalizadas, acessíveis e preocupadas com o consumo sustentável. Quando se quer garantir uma relação feliz e saudável com seu espaço o trabalho do designer é indispensável. Para saber como é um projeto na área, não deixe de ler os posts: do briefing à criação do conceito em design de interiores e do projeto executivo à finalização da obra em design de interiores. 

Antes e depois da bancada de cozinha, projeto de Carina Pedro
Foto: Antes e depois da bancada de cozinha, projeto que envolveu conhecimentos de ergonomia, design de móveis e organização (acervo pessoal)

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Design de interiores: cinco itens de um restaurante que merecem atenção especial

A última vez que fui conhecer um novo restaurante foi no meu aniversário (mostrei algumas fotos no meu Instagram: carina_pe). A experiência foi ótima, saí muito satisfeita, não só com a comida e com o atendimento, mas também com os elementos do design de interiores que achei muito bem resolvidos. Só que infelizmente isso não acontece sempre! Pensando sobre o tema, resolvi fazer uma continuação do post em que abordei os "cinco itens de uma casa que merecem atenção especial", só que mudando o foco para espaços comerciais de alimentação.

Também nesses espaços, como designer de interiores, é difícil não fazer uma análise mínima do que está diante dos meus olhos. Neste caso, por se tratar de um ambiente comercial, ter uma boa impressão dos interiores, pode colaborar para que eu me torne uma cliente assídua e faça uma boa propaganda do lugar. Como no post sobre residências, escolhi falar de cinco itens de um restaurante que não passam batidos pelos olhos atentos de um designer de interiores:

1. Revestimento inadequado: é importante saber que existem diversos revestimentos para piso e parede mais indicados para interiores comerciais. Na hora de escolher é preciso verificar as especificações do fabricante. A opção errada pode deixar o ambiente mais barulhento, mais inseguro e até aparentando mais sujo. Sabe aquele piso que até uma mínima gota aparece? Nada bom para espaços de alimentação onde é difícil evitar que coisas caiam no chão. 

2. Desconforto térmico: levo em conta tanto o excesso de frio causado por um aparelho de ar condicionado mal direcionado para nossa mesa, assim como o calor que a gente sente em um ambiente mal ventilado. Já aconteceu de mudar de lugar mais de uma vez até que eu me sentisse confortável no espaço e também de ficar sem opção e pedir para desligar ou ligar o aparelho.

3. Circulação mínima insuficiente: clientes e garçons trombando entre as mesas pode ser evitado se as medidas mínimas de circulação baseadas na ergonomia forem consideradas em um projeto. O desejo de colocar mais mesas para caber mais pessoas pode ser tentador, mas o incômodo causado pela dificuldade de circulação prejudica o trabalho dos funcionários e pode afastar a clientela.

4. Iluminação fria: falei recentemente sobre o aconchego que traz a luz amarelada, pois bem, se o objetivo é fazer o cliente se sentir bem acomodado, consumindo sem pressa, o ideal é evitar a luz fria do tipo sala de operação. Tudo pode piorar se além de frias, as lâmpadas forem colocadas em excesso. O desafio é desenvolver um projeto com soluções alternativas para as lâmpadas incandescentes.

5. Toalete descontextualizado: já observei restaurantes que não incluem os toaletes no mesmo conceito utilizado no projeto do espaço. Inserir na decoração do toalete itens que tenham a ver com o todo pode criar impressões bem positivas nos clientes. Outra questão para se pensar é onde posicioná-lo, muito próximo às mesas e às vistas dos que estão se alimentando pode tornar a experiência dos clientes no local um tanto desagradável.

Procurei falar de itens de design que, se bem planejados, podem tornar a experiência dentro dos espaços de alimentação muito mais agradáveis a ponto de fazer o cliente voltar sempre. Exceto em franquias que seguem um padrão de design e decoração, os proprietários têm a liberdade de escolher entre oferecer ao seu público um ambiente sem projeto ou um ambiente com projeto de interiores, além de uma ótima comida e atendimento.

restaurante de massas com decoração vintage - foto acervo pessoal de Carina Pedro
Foto: acervo pessoal. Este restaurante de massas tinha uma decoração vintage bem bacana. Mesmo faltando um pouco de iluminação nas mesas, o ambiente podia deixar de ficar aconchegante com lâmpadas frias em excesso. 

terça-feira, 23 de junho de 2015

Design de interiores: cinco itens de uma casa que merecem atenção especial

Quando alguém me convida para conhecer o seu novo lar fico muito lisonjeada e curiosa, independente do tipo do imóvel, percebo que há sempre boas intenções por trás de cada mudança. Por outro lado, existem também aqueles que se sentem constrangidos ao ter um designer de interiores visitando a sua casa. Um receio de que a gente fique reparando em todos os detalhes. Acho até engraçado isso, mas é mesmo muito difícil um profissional da área não fazer (para si mesmo) uma mínima análise do que está diante dos seus olhos.  

Construir um lar que tenha a ver com o seu estilo de vida e que funcione bem no dia-a-dia são preocupações compartilhadas por muitos. A maioria das pessoas realmente se esforça para montar uma casa que satisfaça suas necessidades e desejos, mas isso não quer dizer que a tarefa seja simples e rápida. Isso porque, entre outras coisas, tal tarefa exige um conhecimento específico para ser realizada com precisão. Para este post destaquei cinco itens de uma casa que não passam batidos pelos olhos atentos de um designer de interiores:

1. Iluminação insuficiente ou exagerada: um dos maiores problemas que vejo nos interiores residenciais são ambientes escuros ou claros demais. Há cálculos para se chegar ao número certo de lâmpadas por metro quadrado. É bom lembrar que, entre outras características, as lâmpadas também variam na potência e na temperatura de cor, podendo ser mais ou menos econômicas, frias ou quentes, cada uma delas com uma finalidade específica. Leia mais sobre isso no post lâmpadas incandescentes no interiores.

2. Objetos grandes ou pequenos demais: o tamanho inadequado dos móveis, por exemplo, pode causar vários transtornos, como impedir a plena circulação dos usuários no ambiente. Neste caso, não adianta nem pintar as paredes de cores claras para ampliar o espaço, pois na prática o mesmo ficará comprometido pelas grandes dimensões dos móveis. O mesmo acontece quando os objetos são pequenos demais para o ambiente, por exemplo, luminárias, tapetes ou cortinas, cujas diferentes funções ficarão comprometidas. Para saber mais leia o post tapetes na sala de estar.

3. Posicionamento inadequado dos eletrodomésticos e eletroeletrônicos: estes produtos foram feitos para facilitar a vida, mas quando estão mal posicionados, certamente acabarão dificultando o dia-a-dia. Microondas fora da área de alimentação, televisores mal colocados na sala de estar, computadores instalados sem levar em conta a ergonomia, só para citar alguns exemplos. Leia mais sobre o tema no post um lugar para TV na sala de estar.

4. Cantos subutilizados: nos apartamentos pequenos ou até nos maiores, com muitos objetos, uma hora ou outra se sente falta de mais espaço para armazenagem ou para executar alguma atividade específica. Ao mesmo tempo, quantos cantinhos vejo sendo pouco aproveitados, como debaixo de uma escada, atrás de uma porta ou uma sobra de parede ao lado de um armário. Em alguns casos, pode ser que precise de uma reforma mais cara, como mudar uma parede de posição, mas tal investimento pode valer muito a pena. Veja mais no post cantinho de estudo em casa.

5. Paredes peladas: aqui, entro um pouco na questão decorativa, de aproveitarmos a infinidade de materiais, cores e texturas para customizar as paredes da nossa casa, mas gostaria de destacar principalmente a possibilidade de aproveitar esse espaço vertical para expor uma coleção de quadros, fotografias e outros itens, para criar hortas verticais ou para instalação de prateleiras de diferentes profundidades, aumentando o espaço de armazenamento na casa. Veja mais no post quadros nas paredes.

Brincadeiras à parte, obviamente, não fico comentando em uma visita informal sobre o que gostei ou não na decoração de uma casa, jamais gostaria de deixar qualquer pessoa constrangida. Na verdade, como coloquei na lista, o que me chama à atenção são questões que envolvem a qualidade de vida do usuário, o que pode ser melhorado em termos de design, para que as pessoas aproveitem todo o potencial de suas casas e se sintam mais felizes e satisfeitas nos interiores de seus lares. É para resolver essas questões que o designer anseia intervir tecnicamente no espaço.

Estudo de Carina Pedro sobre posicionamento da TV na sala de estar
Foto: acervo pessoal. Estudo de Carina Pedro sobre posicionamento da TV na sala de estar.

terça-feira, 16 de junho de 2015

Profissão: serviços de designers em interiores residenciais

No post de hoje vou compartilhar mais algumas possibilidades de serviços realizados por designers em interiores residenciais. Descrevi em outro post que o profissional desta área está focado em projetos de interiores de residências próprias ou alugadas e que o trabalho a ser desenvolvido pode ser grande e envolver toda a residência ou demandar uma pequena interferência no espaço. 

O tamanho do projeto vai ser definido por meio do briefing feito com o cliente, assunto que também já tratei no blog. Mesmo que os clientes tenham perfis diferentes, algumas necessidades podem se repetir de um briefing para o outro. O designer de interiores tendo percepção das semelhanças pode oferecer pacotes de serviços com base nesses contextos em que seu trabalho é requisitado. A vantagem de oferecer pacotes é conseguir dar soluções adequadas, rápidas e com bom custo-benefício para os clientes.

Um exemplo é o escritório da peruana Augusta Pastor, o mobler lab, que oferece dois pacotes bem interessantes: "minha primeira casa" e "meu primeiro bebê". O primeiro pacote é para aqueles que estão começando a vida de casado e querem orientações para decorar a nova casa, seja própria ou alugada. A sequência de trabalho é a seguinte: visita à casa dos noivos, entrega da proposta de mobiliário, visita a três lojas de decoração com os noivos para orientar nas escolhas e compras das peças e entrega de um relatório do que foi escolhido. 

No segundo pacote, a questão também é bem comum, decorar o quarto do primeiro filho, levando em conta aspectos estéticos e funcionais. A sequência é a seguinte: visita ao futuro quarto do bebê, entrega de proposta de mobiliário, entrega de opções de desenho do berço, trocador e acessórios, entrega de um relatório do que foi escolhido. Para os seus projetos, Augusta Pastor busca inspiração no design nórdico.

Outro serviço interessante é o de "home staging", muito útil no momento da venda de um imóvel. Neste caso, o designer de interiores é contratado para pensar de maneira racional sobre os ambientes da casa, valorizando os pontos fortes e transformando os fracos, que poderiam passar despercebidos pelos olhos do proprietário "acostumados" com sua casa. Esta intervenção tem como objetivo proporcionar melhores condições de negociação entre vendedor e comprador.

Acredito que muitas pessoas já passaram por uma situação de compra, venda ou aluguel (eu também já passei) e a questão do design de interiores influenciou de alguma maneira, direta ou indiretamente, a decisão final. Quem quiser saber mais sobre o tema não deixe de ler o artigo "Home staging: multiplica las posibilidades de tu casa". 

pacote noivos - mobler lab
Foto: reprodução / mobler lab - "minha primeira casa" de Augusta Pastor.  

terça-feira, 28 de abril de 2015

Livro: do projeto executivo à finalização da obra em design de interiores

Neste post vou abordar as fases 3 e 4 de um projeto de interiores, segundo o livro de Jenny Gibs, "Design de interiores: guia útil para estudantes e profissionais". Para compreender melhor o passo-a-passo não deixe de conferir o primeiro post sobre o livro, "do briefing à criação do conceito em design de interiores", que corresponde à primeira e segunda fase do projeto. 

Design de interiores: guia útil para estudantes e profissionais - :Jenny Gibbs

3ª FASE

1. Apresentado e aprovado o conceito do projeto pelo cliente, o designer de interiores deverá especificar todos os produtos que fazem parte do projeto executivo, como por exemplo, o tamanho e a quantidade de rolos do papel de parede escolhido. Para ser mais detalhista nas especificações, amostras dos materiais podem ser incluídas. Jenny Gibs ressalta que esta fase exige um grande esforço do designer pela quantidade de detalhamentos, o que pode consumir bastante tempo.

2. Nesta fase o designer também seleciona a equipe de trabalho, ou seja, quais são os profissionais que farão parte da execução do projeto, levando em conta a sua complexidade. O cliente pode preferir indicar profissionais de sua confiança para fazer um orçamento e depois, com a ajuda do designer, escolher as melhores propostas. Para o projeto executivo podem ser necessários mais desenhos e plantas detalhadas feitas pelo designer, que também serão muito úteis para os outros profissionais contratados.  

3. Dependendo do caso, este é o momento para avaliar a necessidade de solicitar licenças aos órgãos públicos ou de consultar o corpo de bombeiros para evitar problemas posteriores. A autora dá o exemplo da necessidade de licença de obras em imóveis tombados pelo patrimônio histórico ou em áreas de preservação ambiental. Tudo isto pode gerar custos adicionais, adequação do projeto e adiamento de prazos. 

4ª FASE

1. Orçamentos finais aprovados e contratos assinados, a partir deste momento, precisam ser elaborados a programação dos trabalhos e o cronograma de obras. Se julgar necessário, o designer de interiores pode delegar essa função para um gerente de projetos, que vai ter uma lista de responsabilidades pela frente. Para que o trabalho do gerente seja bem sucedido, Jenny Gibs ressalta que é preciso haver um bom relacionamento e uma boa comunicação entre os membros da equipe de projeto, que nesta fase inclui fornecedores e construtores.

2. Junto a programação das obras deve ser feito um plano de compras, garantindo que os materiais, móveis e outros objetos estejam disponíveis na hora certa. A boa relação com os fornecedores ajuda o designer a se programar e resolver eventuais problemas de entrega ou troca de produtos. Para melhor controle, os pedidos e os pagamentos a serem feitos podem ser registrados em uma planilha.

3. Todo esse planejamento prévio permite que a obra seja executada sem maiores problemas, mesmo assim, é importante que o designer acompanhe a execução dos trabalhos. Gibs chama atenção para aqueles casos em que o cliente está morando no imóvel e, por estar acompanhando muito de perto a obra, toma decisões sem consultar o designer de interiores, gerando transtornos desnecessários. Também faz parte do acompanhamento de obras verificar se os produtos comprados chegaram em ordem e se a instalação dos mesmos está sendo bem realizada. Todos os documentos gerados nesse processo, como as notas fiscais e garantias, devem ser guardadas e entregues ao cliente na finalização. 

4. Aproximando-se da finalização, o designer faz uma vistoria no local para verificar se ficou algo pendente de reparos. Para o grande dia, a dica de Jenny Gibs é que o designer aproveite as informações do briefing para tornar o momento da entrega da obra ainda mais especial. Outro item que a autora recomenda é a entrega de um "manual do proprietário", que inclui várias informações, desde faturas a cores das tintas utilizadas no projeto. Para maior tranquilidade, o designer de interiores pode se manter disponível por um tempo combinado a fim de resolver problemas que surgirem após a entrega da obra. 

projeto de quarto de casal - blog Carina Pedro

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Livro: do briefing à criação do conceito em design de interiores

Comprei este ótimo livro "Design de interiores: guia útil para estudantes e profissionais" na Amazon. A autora Jenny Gibs é diretora da "KCL School of Design" em Londres. Selecionei para comentar aqui no blog trechos do livro em que a autora aborda as etapas iniciais de um projeto de interiores que, segundo sua própria esquematização, fazem parte da 1ª e 2ª fase de um total de quatro fases que correspondem a um projeto completo.  

capa do livro Design de interiores: guia útil para estudantes e profissionais - autora Jenny Gibs

Começo destacando a observação de Jenny Gibs sobre a questão de contratar ou não o designer de interiores. Em alguns países europeus, segundo Gibs, prevalece a ideia de que contratar tal serviço seria um gasto supérfluo ou que o profissional poderia querer impor seu estilo na casa do cliente. Acredito que isso aconteça por alguns motivos, entre eles, o de não saber muito bem as atividades que o designer de interiores está capacitado para realizar e como ele vai realizá-las. 

A partir destas duas primeiras fases do projeto já é possível compreender alguns aspectos importantes do trabalho do designer, leia a seguir: 

1ª FASE

1. O primeiro contato entre o designer e o cliente pode ser feito no próprio local do projeto e sem custos. Este é um momento oportuno para se conhecerem melhor, perceber afinidades, mostrar portfólio, etc. Daí surgem as primeiras notas sobre gosto e estilo de vida dos moradores, no caso de uma residência, assim como as primeiras impressões do local e das questões que incomodam. Lembrando que o designer também pode perceber que não é o mais indicado para o trabalho e propor outro profissional.

2. Tudo correu bem no primeiro contato, as próximas reuniões serão utilizadas para desenvolver o programa de necessidades (ou briefing), o que significa levantar detalhes sobre o cliente e o espaço, que servirão para nortear todo o projeto. Os dados podem ser coletados por meio de questionários aplicados a todos os usuários do espaço. As perguntas e respostas permitem mapear o perfil dos moradores, aspetos da rotina, hábitos, preferências pessoais, necessidade de adaptações nos ambientes, identificando aspectos que passam despercebidos pelos usuários. Gibs lembra que é importante verificar também as limitações existentes. Neste momento, ter uma noção de quanto o cliente deseja investir evitará uma proposta fora da sua realidade. 

3. Após este levantamento, o designer elabora um relatório com a análise do programa de necessidades e apresenta a sua proposta de trabalho com prazos, honorários, formas de pagamento e outras informações relevantes para as fases seguintes do projeto. Este é um momento propício para negociar as formas de pagamento com o cliente que pode, por exemplo, optar por desenvolver todas as etapas do projeto ou uma delas com o designer e as demais com outro profissional. Em seguida, pode-se apresentar o contrato de prestação de serviço. 

2ª FASE

1. Aprovada a proposta de trabalho e assinado o contrato, entramos na segunda fase do projeto, que começa com o diagnóstico do local. Nesta fase será feito um levantamento dos dados físicos por meio de medições e anotações dos elementos existentes no ambiente como janelas, portas, instalações elétricas, piso, mobiliário, etc. Além de desenhos, se o cliente permitir, o designer pode usar outros recursos como fotografia e vídeo para estudar o local. Jenny Gibs nos chama a atenção para os problemas "ocultos" do ambiente que acabam não sendo identificados facilmente e que podem comprometer o andamento do projeto e alterar os custos. Atenção redobrada se o imóvel for antigo. 

2. Com as informações obtidas até este momento o designer pode iniciar a pesquisa e desenvolvimento do conceito do projeto. Como Jenny Gibs lembra bem, o processo criativo do designer pode se dar de diferentes maneiras, porém, ao elaborar as soluções de design, não se deve perder de vista o estilo de vida do cliente, o local do projeto e o orçamento disponível. Painéis conceituais, plantas e perspectivas são utilizados pelo designer para organizar suas ideias e apresentar o conceito ao cliente. 

Jenny Gibs finaliza o capítulo motivando o designer a não se dar por satisfeito até encontrar soluções adequadas que garantam os melhores resultados estéticos e funcionais, respeitem o meio ambiente e possibilitem intervenções futuras descomplicadas e de baixo custo. Conhecendo as funções do designer de interiores acredito que fique mais fácil identificar o momento de contratar os seus serviços.

projeto de interiores com destaque para cores preta e laranja - autoria Carina Pedro

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